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É possível manter a tradição das festas juninas com muito sabor e sem ultraprocessados



O mês de junho chegou ao fim, mas as festas juninas se estendem por julho e, em alguns lugares, até mesmo por agosto. Elas estão entre as tradições culturais mais importantes do Brasil e, no último 24 de junho, quando é comemorado o Dia de São João, o governo federal reconheceu as quadrilhas juninas como manifestação cultural nacional, por meio da lei 14.900/2024


Além das danças e da música, outro ponto alto dessas celebrações são as comidas típicas. Pipoca, canjica, pé de moleque, bolo de aipim e milho cozido são alguns exemplos bastante conhecidos e feitos com ingredientes que remetem às colheitas do meio do ano. 


E, dentre os espaços que tradicionalmente realizam festas juninas, podemos falar das escolas. Seja realizando pequenas celebrações ou grandes “arraiás”, elas ajudam a preservar a tradição popular, transmitindo esse costume por gerações.


Na cidade do Rio de Janeiro, no entanto, as festas juninas foram alvo de polêmica em algumas escolas. Desde 2023, o município conta com uma lei que proíbe a oferta e venda de alimentos ultraprocessados no ambiente escolar, seja ele público ou privado. 


Por causa da norma, surgiu a dúvida: as festas juninas ainda poderiam ser celebradas com seus alimentos típicos? A resposta é sim, mas é preciso ter atenção à qualidade e à forma de produção deles. Muitas vezes, alimentos ultraprocessados tomam o lugar de receitas que podem ter um preparo mais caseiro ou minimamente processado e, consequentemente, mais saudável.


"As comidas típicas do São João, em geral, não são ultraprocessadas e, do ponto de vista histórico e cultural, não possuíam ultraprocessados entre seus ingredientes. O leite condensado, por exemplo, que, dependendo da lista de ingredientes, é um ultraprocessado, foi introduzido nas receitas típicas e tradicionais a partir de uma jogada de marketing da indústria de alimentos. Dessa forma, as comidas típicas do São João, na sua maioria, foram concebidas antes mesmo desse ultraprocessamento dos alimentos e, por isso, não estão proibidas nas festas escolares", explica Raphael Barreto, gerente de Obesidade do Instituto Desiderata. 


Como sempre falamos aqui, os ultraprocessados são alimentos que passam por vários processos industriais, apresentam excesso de gordura, sal e açúcar, além de aditivos químicos, como aromatizantes e corantes. Estão associados ao desenvolvimento de condições crônicas, como a obesidade, o diabetes e a hipertensão já a partir da infância. Há estudos que também mostram os efeitos dos ultraprocessados na saúde mental e até na predisposição ao câncer


É claro que a proibição deles no ambiente escolar vai pedir mais planejamento e cuidado para quem organiza as festividades, pois será necessária maior atenção à forma de preparo dos alimentos ofertados ou vendidos, sem usar a praticidade que os alimentos ultraprocessados podem oferecer. No entanto, isso cria oportunidades para reforçar o valor das receitas tradicionais, caseiras e de promover um momento educativo, onde estudantes e famílias podem ser envolvidos, promovendo uma reflexão sobre hábitos alimentares.


A importância dos alimentos regionais


As festividades juninas também estão muito ligadas ao consumo de alimentos regionais, que são aqueles considerados de fácil acesso, baixo custo e alto valor nutricional, produzidos localmente e associados a uma alimentação saudável. No entanto, um artigo publicado em 2022, por pesquisadores do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens), mostrou que apenas 3,69% do total de calorias consumidas pelos brasileiros estão relacionadas aos alimentos regionais.


O Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda que nossa alimentação seja composta, em maior parte, por alimentos in natura e minimamente processados, respeitando e valorizando produtos regionais e questões culturais. Apesar disso, fatores como a insegurança alimentar e alguns hábitos alimentares modernos afastam crianças e jovens deste tipo de alimentação.


Segundo um estudo da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, a insegurança alimentar está mais presente nas famílias de renda e escolaridade mais baixas e isso se reflete tanto no consumo de alimentos considerados saudáveis, quanto no consumo de alimentos regionais. O estudo constatou que as preparações regionais foram mais consumidas em domicílios classificados como seguros, porque, muitas vezes, são mais elaboradas, com carne na composição, o que, consequentemente, eleva o custo.


As escolas, por sua vez, ocupam papel central na promoção do consumo desses alimentos, reforçando a importância de políticas públicas voltadas para a alimentação saudável. Ainda de acordo com a pesquisa do Nupens, na região Sul do Brasil, por exemplo, cerca de 82% dos alimentos consumidos nas escolas são regionais. Políticas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) são fundamentais para tornar esses itens mais acessíveis e contribuir para a agricultura de uma determinada região.


Valorizar e promover a alimentação regional ao longo de todo o ano, e não apenas durante as festas juninas, é fundamental para a saúde pública, para a preservação da rica cultura alimentar brasileira e para a economia local. Além de serem mais nutritivos, esses alimentos contribuem para a redução de doenças crônicas como a obesidade, diabetes e hipertensão, que estão frequentemente associadas ao consumo excessivo de alimentos industrializados. 


Escolhas saudáveis para festejar


Como já falamos, as festas juninas no Brasil são uma ótima oportunidade para saborear comidas típicas que celebram a cultura local. Pipoca caseira, milho cozido, paçoca caseira, amendoim torrado, batata e macaxeira cozidas ou assadas, cocada, pé-de-moleque, caldo verde, canjiquinha– sem usar ultraprocessados como salsichão, bacon, calabresa, salsicha, linguiça, caldos prontos para consumo e margarina– são escolhas saudáveis e nutritivas que preservam o espírito festivo. Além disso, temperos naturais como açafrão, páprica, cebolinha, salsinha, coentro, manjericão, cúrcuma, alho e cebola podem ser utilizados para realçar o sabor das preparações. Ao optar pela comida típica caseira, é importante também evitar o excesso de adição de gorduras, sal e açúcares.


É possível aproveitar o melhor das festas juninas e manter bons hábitos alimentares. Celebre não apenas a tradição, mas também o cuidado com a saúde, garantindo momentos memoráveis com pratos que refletem o melhor da culinária brasileira tradicional.




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