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Insegurança alimentar ainda é grande no Brasil e mais grave em lares com crianças e adolescentes




A PNAD Contínua sobre Segurança Alimentar, pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apontou que 27,6% dos domicílios brasileiros apresentaram algum tipo de insegurança alimentar no ano de 2023, o que corresponde a, aproximadamente, um quarto dos lares do país. São 64,1 milhões de pessoas vivendo na incerteza de acesso a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente para suprir as necessidades nutricionais básicas.


A insegurança alimentar por domicílio indica que os moradores de uma casa não sabem se terão o que comer, nem em qual quantidade, em um futuro próximo. A pesquisa realizada pelo IBGE, utiliza a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar que classifica esta situação em  três níveis:


  • O primeiro nível é a insegurança alimentar leve, onde há falta de qualidade da alimentação e a incerteza com relação à quantidade de alimentos disponíveis no futuro. Nesse grupo, estão 18,2% dos domicílios do país;

  • O nível intermediário é caracterizado pela falta de qualidade na alimentação e uma redução na quantidade de alimentos entre os adultos, o que , de acordo com o levantamento do IBGE, aflige 5,3% dos lares brasileiro;.

  • Já a insegurança alimentar grave implica na redução da quantidade e da qualidade de alimentos também entre as crianças de um domicílio. Nessa situação, que atinge 4,1% das famílias (8,1 milhões de pessoas), a fome passa a ser algo presente. 


Apesar dos números alarmantes sobre a insegurança alimentar, o índice de domicílios nessa situação diminuiu em relação à pesquisa anterior, realizada no biênio 2017-2018. Na época 63,3% dos lares brasileiros tinham acesso regular a alimentos de qualidade em quantidade suficiente, sem comprometimento das necessidades nutricionais básicas, a chamada segurança alimentar. Hoje, ela é uma realidade em 72% dos domicílios.


De acordo com o IBGE, o crescimento do índice de segurança alimentar é motivado por fatores como o investimento em programas sociais, a recuperação econômica e a baixa no preço de alguns alimentos.


Insegurança alimentar e desigualdades


A insegurança alimentar é registrada de formas diferentes no país. O Norte e o Nordeste brasileiros, por exemplo, têm mais do que o dobro de domicílios nessa situação, ao compararmos com outras regiões. Dos sete estados da região Norte, apenas dois (Rondônia e Tocantins) ficaram abaixo da média nacional de insegurança alimentar, que é de 9,4%. O estado do Pará é o mais afetado do país, com mais de 20% de domicílios na incerteza de acesso a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente.


A situação também é preocupante no Nordeste, onde o percentual de famílias nessa situação chega a quase 15%. Centro-Oeste (7,9%), Sudeste (6,7%) e Sul (4,7%) também registraram insegurança alimentar, mas ficaram abaixo da média nacional.


A insegurança alimentar ainda atinge de formas diferentes homens e mulheres e pessoas negras e brancas. Ela foi registrada em 59,4% dos domicílios chefiados por mulheres e em 69,7% dos lares chefiados por pessoas negras. Indicando que a insegurança alimentar tem local, raça e gênero predominantes.


Mais insegurança para crianças e adolescentes


A insegurança alimentar piora também em domicílios onde há crianças e adolescentes. Ela chega em 37% dos lares com crianças de 0 a 4 anos e a 36,6% naqueles com crianças e adolescentes de 5 a 17 anos. São mais membros na família que, por estarem em idade escolar, não geram renda. 

É nesses lares também onde se torna mais desafiador ter uma alimentação de qualidade. Por isso, alimentos mais baratos, que rendem mais quantidade e são rápidos de serem preparados acabam entrando no cardápio dessas famílias. A situação tem levado ao aumento de consumo de ultraprocessados, ou seja, produtos alimentícios industrializados que recebem grande quantidade de gordura, açúcar, sal, aromatizantes, corantes e outros aditivos químicos. Alguns exemplos são os embutidos, como as salsichas, e os macarrões instantâneos.


As consequências da inversão de valores, com ultraprocessados se tornando mais acessíveis do que alimentos in natura ou minimamente processados, contribui também para o risco aumentado de condições crônicas já a partir da infância, como a hipertensão e a diabetes, e da obesidade, que também é uma das faces da insegurança alimentar.


Nas regiões Norte e Nordeste, mais de 30% das crianças nas faixa de 0 a 4 anos apresentam algum grau de obesidade. Além disso, os alimentos ultraprocessados estão muito presentes na alimentação dessas crianças, chegando a uma média nacional de 80% de consumo. Os dados são do Panorama da Obesidade em Crianças e Adolescentes, plataforma desenvolvida pelo Instituto Desiderata para monitorar a situação da alimentação infantojuvenil em todo o país.


“É importante considerarmos que há evidências sólidas sobre a deterioração da qualidade da alimentação quando esta é baseada no consumo de produtos alimentícios ultraprocessados que, por serem desbalanceados em sua origem, tem uma participação significativa nos índices de insegurança alimentar em suas faces menos óbvias, como na contribuição para o grave cenário da obesidade. Insegurança alimentar não é apenas passar fome”, alerta Carolina Rocha, nutricionista e analista de Saúde do Instituto Desiderata.



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