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Brasileiro bebe menos leite e consome mais bebida ultraprocessada, sugere estudo

Renda foi o principal vetor para mudança nos hábitos em um período de 20 anos





A população brasileira reduziu a ingestão de leite e aumentou o consumo de bebidas ultraprocessadas, sugere um estudo publicado pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (USP) na revista Frontiers in Public Health.


A análise se baseou nos dados das três últimas edições da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada periodicamente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Não reflete, portanto, a piora no quadro de segurança alimentar e nutricional da população brasileira depois deste período e notadamente durante a pandemia de covid-19, embora indiquem uma tendência importante verificada em um período de 20 anos.


Enquanto o leite foi a bebida mais comprada em 2002-03, os refrigerantes assumiram esse posto em 2017-18. A renda teve papel importante nessa mudança no consumo alimentar: quem consome mais alimentos ultraprocessados tende a aumentar também a ingestão dessas bebidas. Famílias com menor renda dobraram as compras de bebidas ultraprocessadas neste período: de 46 para 91 ml, tendência inversa àquela vista entre os lares com maior poder aquisitivo.


As cientistas Natália Oliveira e Daniela Canella, ambas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), são as autoras da pesquisa. Elas destacam a necessidade de fixar um objetivo relacionado à redução do consumo dessas bebidas no Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos Não Transmissíveis no Brasil (2021-2030), além de fomentar outras políticas públicas sobre o tema.


Assim como os alimentos ultraprocessados, as bebidas estão associadas a doenças crônicas como obesidade, hipertensão, diabetes e até alguns tipos de câncer

A conclusão se soma a diversas outras pesquisas que apontam uma redução no consumo de alimentos in natura ou minimamente processados, e a substituição por ultraprocessados.


Em outro estudo que também se baseou nos dados da POF, pesquisadores concluíram que houve redução no consumo de arroz, feijão, carne bovina, pães, frutas, laticínios, carnes processadas e refrigerantes, mas aumento no consumo de sanduíches. Os resultados sinalizam piora na qualidade da alimentação do brasileiro e, novamente, ainda não refletem a piora no quadro nos últimos anos.


No Brasil, esse processo vem sendo agravado pela inflação, já que alimentos in natura ou minimamente processados sobem de preço num ritmo muito superior aos ultraprocessados, tornando estes proporcionalmente mais baratos em comparação à comida saudável.

Os fatores que explicam essa dinâmica e as consequências econômicas e para a saúde pública foram tema de um relatório publicado pela ACT Promoção da Saúde e desenvolvido por Valter Palmieri Jr, doutor em desenvolvimento econômico.


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